PPR Perfeito

Manifesto PPR Perfeito

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1) Se tens menos de 45 anos, tens um problema

A nossa geração vai ter uma reforma bastante mais baixa do que o último salário.

A Segurança Social foi desenhada para um país com muitos trabalhadores por cada reformado. Esse mundo mudou - e continua a mudar rapidamente. O resultado é simples: a reforma pública tenderá a pagar uma fatia cada vez menor do último salário.

Nas projeções oficiais do Ageing Report 2024 (Comissão Europeia / EPC), a taxa de substituição agregada em Portugal desce de 69,4% (2022) para 38,5% (2050) (cenário de referência do relatório).

Um exemplo concreto

Se em 2050 estiveres a ganhar o equivalente a 2.000 €/mês, uma taxa de 38,5% corresponde a cerca de 770 €/mês. Mesmo que o teu caso individual seja diferente, a mensagem é clara: depender apenas da reforma do Estado implica uma quebra forte no nível de vida.

E não é um “palpite”. O Estado português publica regularmente um Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social (anexo ao Orçamento do Estado), exatamente porque isto é um tema estrutural.

2) O que isto implica

Há apenas três formas de fechar esta diferença:

  • trabalhar mais anos (nem sempre é possível)
  • baixar o nível de vida na reforma
  • poupar e investir ao longo da vida para construir uma “segunda reforma”

Isto não é um problema “de ricos”. É um problema de qualquer pessoa que queira manter algum conforto quando deixar de trabalhar.

Se não agires, o problema não desaparece - agrava-se.

3) Porque poupar não chega: é preciso investir

Pôr dinheiro de lado é necessário, mas não é suficiente.

Ao longo de 20, 30 ou 40 anos, a inflação corrói o poder de compra do dinheiro parado. O risco principal, num horizonte tão longo, não é a oscilação de um ano mau - é não obter rentabilidade suficiente para manter ou aumentar o poder de compra.

Investir é empregar capital com a expectativa de obter rentabilidade. Há que fazer escolhas e saber qual os riscos que se está a assumir, mas uma coisa é certa: se estivermos focados em eliminar qualquer oscilação e risco, não há forma matemática de compensar a quebra da pensão pública.

4) Porque é que ações entram nesta conversa

Quando se fala em investir para a reforma, a pergunta não é "qual é o ativo mais seguro este ano". A pergunta é: qual é a probabilidade de, ao longo de décadas, manter o poder de compra e gerar crescimento suficiente.

Depósitos e produtos muito conservadores têm pouca volatilidade, mas tendem a oferecer retornos reais baixos ao longo do tempo. Obrigações situam-se num meio termo, mas também com retornos reais historicamente limitados em horizontes longos.

As ações são mais voláteis no curto prazo, mas representam participação em empresas que crescem, inovam e geram lucros. Por isso, têm um retorno esperado mais elevado no longo prazo.

Isto não é garantia nem receita universal. Mas explica porque é que, para poupança de muito longo prazo, faz sentido que as ações tenham um peso relevante, sempre: de forma diversificada, com custos baixos, e ajustado ao horizonte temporal.

5) Índices e ETFs: a forma simples de o fazer

A maioria das pessoas não precisa de escolher “as melhores ações”.

Precisa de duas ideias simples:

  • Índice: uma lista de empresas (ex.: “as maiores do mundo”) usada para medir a evolução de um mercado.
  • ETF: um fundo que tenta “copiar” um índice e que normalmente tem custos baixos e é simples de comprar/vender.

Tradução prática: em vez de escolher 10 ações “porque alguém disse”, consegues investir numa fatia grande do mercado - várias empresas, vários países e vários setores de atividade.

6) E os impostos? O PPR

Portugal criou benefícios fiscais para incentivar poupança de longo prazo. Está na lei.

No Estatuto dos Benefícios Fiscais (Diário da República), o regime dos “produtos individuais de reforma” inclui:

  • dedução à coleta de IRS de 20% do valor aplicado no ano, com limites por idade (ex.: 400 €/350 €/300 €)
  • regras e penalizações se houver reembolso fora das condições legais (incluindo devolução do benefício, com majoração prevista)

A lógica é legítima: premiar quem poupa para o longo prazo.

7) O problema: muitos PPR não cumprem o objetivo

Aqui está o ponto crítico.

Muitos PPR existentes são: caros, demasiado conservadores, ou ambos. E "um pouco caro" todos os anos, durante décadas, tem um efeito enorme.

Se um produto cobra comissões elevadas e investe de forma pouco ambiciosa, a poupança fiscal pode não chegar para compensar o custo e a baixa rentabilidade.

A própria CMVM disponibiliza um comparador oficial de PPR sob a forma de fundos, com foco em custos, risco e retorno. E a imprensa económica tem mostrado casos em que, em horizontes de vários anos, as comissões absorvem uma parte significativa do retorno.

O paradoxo é este:

  • o PPR foi criado para ajudar a poupar para a reforma,
  • mas muitos produtos acabam por entregar pouco para o que custam.

É este o principal problema a resolver.

8) Uma nota importante: o Fundo de Estabilização da Segurança Social

Portugal tem um Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, criado para amortecer desequilíbrios futuros do sistema.

É positivo o facto de existir este fundo. No entanto, o fundo é pequeno face à dimensão do desafio, e segue uma estratégia de investimento muito conservadora, focada sobretudo na preservação de capital. Isso limita a sua capacidade de gerar retorno real ao longo do tempo.

Em contraste, fundos públicos com horizonte muito longo - como o Government Pension Fund Global, gerido pelo Norges Bank Investment Management - investem maioritariamente em ações, precisamente para tentar obter retornos reais mais elevados ao longo de décadas.

Isto não resolve o problema demográfico por si só. Mas ajuda a reduzi-lo. Em Portugal, a combinação de um fundo pequeno e pouco exposto a ativos de crescimento torna o sistema mais vulnerável ao envelhecimento da população.

9) Porque é que este projeto existe

Somos um grupo com anos de experiência na indústria financeira. Também precisamos de poupar e investir. E queremos fazê-lo de forma simples, transparente e fiscalmente eficiente.

Analisámos as opções disponíveis e chegámos a uma conclusão desconfortável: o que existe no mercado português raramente junta, ao mesmo tempo, simplicidade, transparência e custos baixos - exatamente o que mais importa num produto pensado para décadas.

Por isso decidimos tentar criar algo que faça sentido:

  • simples de entender
  • com custos baixos e claros
  • global e diversificado
  • pensado para o longo prazo

Isto ainda não é um produto. É um projeto. Mas parte de uma tese clara: a nossa geração não pode depender só do Estado - e merece uma solução de reforma que não a penalize por tentar fazer a coisa certa.

Se isto te diz algo, acompanha-nos, critica, partilha. O problema é real. E não se resolve sozinho.

Nada aqui é aconselhamento financeiro. É a tese pública do projeto e as fontes em que se baseia.

Notas e fontes (oficiais + imprensa económica)